Eu, você, eles…

Alain_Daussin_Matin

Ontem à noite, outra vez, ouvi vozes dentro de mim.

Como das outras vezes eram quase sussurros.

Um linguajar confuso.

Assustei-me. Acelerou-me o coração.

Desta vez, porém, procurei prestar mais atenção.

Pude finalmente entender a razão.

Eram os vermes. Os meus vermes confabulando

enquanto pelo meu corpo iam caminhando, cirandando.

Aos poucos pude ouvi-los melhor.

Falavam de estratégias,

de barreiras, de vitórias.

Criticavam certa demora. 

Usavam frases irônicas.

Quis participar do diálogo, mas me ignoraram.

Senti-me enfraquecida. Seria o fim da minha vida?

Permaneci, por instantes, estática.

As vozes foram se distanciando. Diminuindo a tonalidade.

Até que o silêncio  reinou absoluto.

Aconcheguei-me na cama. Tentei dormir.

Senti ainda os tais vermes em mim.

Juro que temi pelo meu fim, mas resoluta, encorajei-me.

Ora! Ora! Noto agora que me olhas com indignação.

Acaso pensas que estou louca?

Não acreditas que existem vermes confabulantes?

Teus vermes não confabulam?

Não ouves o que dizem os teus vermes?

Não sentes o cirandar dos teus vermes?

Pois fiques sabendo  que eles também têm planos para ti

Quando puderes ou quiseres, presta mais atenção.

Ouças dos teus vermes as confabulações

Tira tuas próprias conclusões.

E depois… depois…

Bem, depois, tenta dormir o sono dos justos…

 

Ludimar Gomes Molina 

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